segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O adeus necessário

Nunca houve reciprocidade, reconheço. Por mais que eu tenha me esforçado, mentido para os outros e até para mim. Você nunca conseguiu sentir nada por mim, e é por saber disso que dói tanto. Passava noites fomentando uma ilusão e molhando o meu travesseiro com lágrimas que, por mais que eu quisesse ser forte, não conseguia evitá-las. Mas, você continuava aqui, ocupando espaço e me matando mais um pouco a cada dia. 
Chorei muito, chorei um oceano enquanto te esperava, chorei até pensar que secaria. Virei um ser estranho que sobrevivia de migalhas do teu amor. Morria esperando que você aprendesse que eu sou o amor da sua vida, mas, você nunca retornou, e eu achei que não suportaria essa dor. Mas eu tive que aprender e superar, andar sozinha no futuro que eu havia planejado para nós dois. 
A vida ficou mais leve quando finalmente te tirei do meu coração, amor é companheirismo, e companheiro, você nunca foi. E eu não podia simplesmente desistir de mim. Segui em frente sozinha, mesmo sabendo que enfrentaria algumas pedras e poderia cair ou me machucar. Enfrentei desafios que foram difíceis, era horrível te esbarrar na fila do correio, na faculdade, ver as fotos da sua viagem com a namorada nova, mas eu consegui vencer todos esses desafios. 
Foi necessário te dar adeus, sai correndo mesmo sem ter forças para andar. Recomeçar é o meu ponto fraco, mas não sou o tipo de pessoa que aceita fraquezas. Cai algumas vezes, mas levantei mais forte de todas as quedas. Até tentei te ligar uma vez, mas, o meu orgulho que antes só me atrapalhava, dessa vez poupou o meu papel de trouxa. Aprendi a controlar o que sinto. Ficar comigo, foi a melhor relação que eu poderia ter, pois, entre todos os amores, resolvi escolher o que dura eternamente: o próprio.